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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

TRANSPLANTES DESPERDIÇADOS...

As listas de espera para transplantes continuam a aumentar em Portugal, não tanto por falta de dadores, mas por dificuldades na colheita de órgãos. Apenas metade dos 42 hospitais autorizados o fazem com regularidade, o que leva a que muitos órgãos se percam. Por exemplo, a falta de disponibilidade de recursos humanos no Hospital de Santa Marta (Lisboa) leva a que este hospital chegue mesmo a "doar órgãos a Espanha".
A colheita de órgãos no ano passado correu melhor do que em 2005, mas ficou aquém das expectativas de milhares de portugueses à espera de um órgão. Na Europa há mais de 40 mil doentes em listas de espera, cenário que esteve na base de um polémico reality show na Holanda. No programa, uma "suposta" doente terminal teria de escolher a quem iria doar os seus órgãos. O que é certo é que o programa virou, durante alguns dias, todas as atenções para o problema das listas de espera dos transplantes e para a angústia vivida pelos doentes que esperam um órgão. É importante sensibilizar o mundo para esta realidade. Todos os dias morrem cerca dez europeus por falta de órgãos. A taxa de pacientes que morrem à espera de um transplante de coração, fígado ou pulmão ronda os 15 a 30%.

Muitas vezes, perdem-se potenciais colheitas de órgãos porque os dadores não são identificados atempadamente. Por vezes morrem na Unidade de Cuidados Intensivos e nem se chega a saber o seu potencial. Quem faz o diagnóstico, um neurocirurgião ou neurologista, não sabe atempadamente se o dador teve morte cerebral, condição para fazer a colheita. O diagnóstico de morte cerebral "falha mais", mas há outras limitações estruturais, como a necessidade de camas, a falta de recursos humanos e de preparação das colheitas. Muitas vezes, só se fazem diagnósticos quando o doente está ligado ao ventilador.

Em 2006, foram efectuados 1457 transplantes em Portugal e só 452 de córnea. Com dadores vivos, foram realizados 38 transplantes de rim e dois de fígado. As listas de espera por um rim chegam a três anos; seis meses para fígado e coração; nos pulmões, pode chegar a um ano.

De acordo com dados da Organização Portuguesa de Transplantação, foram efectuadas 201 colheitas, resultando num total de 590 órgãos (rim, fígado e coração) recolhidos na maioria em cinco hospitais centrais. O número de córneas em 2006 ascendeu a 283, o que é inferior a outros anos. A colheita de pulmões não faz parte das estatísticas de colheitas, mas de transplantes, que foram apenas dois em 2006. Apesar de haver um programa de intercâmbio entre Espanha e Portugal, o responsável frisa que "há três a quatro casos por ano de colheitas feitas por técnicos espanhóis por não haver hipóteses de a equipa realizar o transplante em tempo útil".
Se em cada ano as estatísticas flutuam, o certo é que Portugal está longe de Espanha. Todos os anos o nosso país desperdiça cerca de meia centena de transplantes.

 

Para quem espera por um órgão, pode revelar-se tarde demais...

publicado por Dreamfinder às 09:13

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